Friday, August 12, 2005

Estudo de caso 54

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Como dormir se a pouco ouvi sua voz no telefone dizendo coisas que eu queria ouvir?Que eu queria dizer e achava que não ia conseguir?Aliás dormir pra que? Se não tenho a garantia de que vou sonhar com você como tenho de que acordada pelo menos em pensamento você pode estar aqui.Ontem esrevi sobre você,hoje escrevo sobre voce,amanhã vou te ver...Fico pensando aqui nos erros que não posso cometer, nos seus acertos...Porque é que você sempre acerta? Sempre seguro no que diz pra mim, no jeito que me toca... e como me toca! E quando não fala? Até seu silêncio é certo, nem isso me incomoda...A única coisa que me incomoda em você é a sua ausência frenquentando todos os meus dias atrapalhando meu sono.Fico inventando nossas histórias cada noite.E cada dia que passa é uma história nunca acontecida...As vezes penso que te invento tanto, que é por isso do medo de te ver, de ter você...medo de você entortar de perto...Você é tão perfeito nos meus vários pensamentos diários, que acho que nem vejo mais tanta graça no que você tem de realidade...Não sei, mas acho que amanhã não vou querer te ver...Desculpa, sua ausência me fez inventar de mais o que você é pra mim quando não é.Posso gostar de você assim?
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Tuesday, August 09, 2005

Estudo de caso 53

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Se você deixar, posso passar horas do meu dia pensando na beleza da imperfeição dos seus traços.
Naquilo que não conheço de ti, porque você não quer.
No que odeio ou amo em você por tão pouco.
Se você prefereir, me deixo gostar menos de você, de pensar que posso ter você ou de fingir que posso esquecer...
Mas meu lençou tem o seu cheiro que inventei como seu, todos eles... mesmo lavados, mesmo quando não cheiro.
Você aparece quando resolvo me afastar de ti...
fala que me gosta e se encosta, pra me esperar...
aí eu vou, e quando vou você também acaba indo.
Você joga comigo, só pode ser...
Brinca, brinca até me perder...
Mas você sabe que não me perde,
que eu sou fácil pra você.
Maldito beijo!
Encaixe perfeito!
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Wednesday, August 03, 2005

Estudo de caso 52

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Ele ama a insignificancia de todas as palavras,
odeia a falsa aparência de todos os verbos que acham que fazem, que agem, que acontecem...
Admira a incerteza dos poetas,quer a liberdade da loucura,
abdicar de tudo o que mendiga para ser mendigo e não ter o que perder...
Dispensa os objetivos para o futuro de uma vida que não tem presente: "Lhe dou de presente se você quiser".
Deseja a flacidez do amanhã, as rugas de velhice de um corpo usado, suado, vendido, estragado inadequadamente várias vezes, pra poder saborear uma alma limpa antes de morta e esquecida.
Ele falseia um sorriso sem dentes, para que seja preciso não sorrir com os olhos...
E ele fecha esses olhos pra ver o som do que o cerca e do que o assassina aos poucos e sem susto, num surto...
Ele quer odiar quem ama pelo menos duas vezes ao dia...
Quer brigar com o espelho pra ver se ainda ganha...
Quer sentir prazer mijando, urinando suas incertezas, por digerir as impuresas de todos.
Não quer alegria de vidro frágil, não quer grama de pregos onde não possa deitar-se...
Ele quer o abandono do que tem de bom mais vezes pra que seja possível querer sinceramente...
Ele quer estar em você de maneiras abstratas.
Anda desejando amores incompletos, interrompidos; histórias finalizadas ou acabadas antes do tempo... Mas ainda não sabe pra quê!
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Estudo de caso 51

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Todos os dias, é como se ele preenchesse folhas de caderno com rabiscos e riscos só pra não tê-las em branco...
Agora seu novo objetivo é escolher novas maneiras de empurrar com a barriga o que ainda tem pra aproveitar seus dias não riscados.
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Estudo de caso 50

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Ele tá querendo definitavamente é férias prolongadas dele mesmo e da sua rotina...
viajar pra bem longe dele pra poder voltar cabendo ali dentro...
sem saudades!
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Estudo de caso 49

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Ele quer a felicidade do outro,
o pensamento do outro,
a beleza do outro,
o sofrimento do outro,
o sorriso do outro,
o amor do outro,
o caminho do outro,
o dinheiro do outro,
o conforto d outro,
a simpatia do outro,
a educação do outro,
o cucesso do outro,
os problemas do outro,
a aparência do outro,
a ideologia do outro,
o sonho do outro,
as curvas do outro,
o cabelo do outro,
a simpatia do outro,
a história do outro,
a sabedoria do outro,
o carro do outro,
a casa do outro,
o trabalho do outro,
a criatividade do outro,
a capacidade do outro,
as expectativas do outro,
o namoro do outro,
a barriga do outro,
a cor do outro,
os amigos do outro,
as roupas do outro,
o estilo do outro,
as manias do outro,
a fobia do outro,
a história do outro,
os acertos do outro,
as mentiras do outro,
as palavras do outro,
a pele do outro,
o desenho do outro,
o gosto do outro,
a arte do outro,
a rotina do outro,
a diversão do outro,
a família do outro,
ele quer ser o outro,
se tornar o outro em tudo, até no que defeca.
Mas os erros? Esses ele quer os dele, e se puder em dose dupla...

Ele diz que a gente quer sempre o que parece ser melhor por não ser da gente, que a gente quer essa mania de tentar se completar com a incompletude do outro, a gente quer acredtitar que somos metade de algo, de alguém pra ter porque continuar a andar, a se levantar, a comer... mas quando a gente tem o outro por inteiro enfim; a gente passa a preferir a gente pela metade...
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Estudo de caso 48

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Pra ele o que faz sentido é a contradição das palavras, a contravenção de um ato.
É a perplexidade friamente calculada de quem espera um acontecimento que não choca.
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Estudo de caso 47

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Aquelas olheras no espelho refletidas no meu rosto não parecem ser minhas. Pertencem à uma mulher de 40 anos ou mais que estar por vir com seu presente no meu futuro.
Olheras de falta de sono, de falta de cama, em todos os sentidos. Como se ela andasse se relacionando de mais com travesseiros, assim como eu quando não com cadernos e suas linhas tão retas nas minhas...
Cansaço de velhice precosse resumida à essa olhera que o espelho me coloca. Elas nao são minhas como já disse.
E essas rugas? Que pressa que o tempo tem de me adiantar um estado que não é meu... que não me faz eu. Que falta é essa que sinto de mim quando me olho no espelho?
Cadê aquela minina que eu tinha, que era, que eu parecia? Cadê aquela casa de boneca cravada na lembrança quem nem sei se tenho mais quando me olho alí?
Quem é aquela do lado de lá? Que eu encontro fora do que tenho do lado de cá?
Agora é todo dia um : "Prazer em conhecê-la" pra essa aí na minha frente. E ela faz tudo exatamente como eu faço. É como se fosse eu. Igualzinha no jeito de olhar, retraindo um sorrido sem dentes e com tantos presentes.
A única hora que me sinto perdendo o que tenho aqui dentro, é quando olho pra essa pessoa fora de mim refletindo a mesma casca, a memsa ruga de dúvida cravada na testa.
Ela quer me convencer que faz parte de mim porque me imita, porque se parece comigo... olha só! Sincroniza direitinho os mesmo gestos! Mas essas olheras? Que que tão fazendo ali? Ou aqui?
Já to me confundindo com essa porra dessa imagem no espelho... Uma intrusa querendo me pertencer à pulso! E fica ali todo dia... não vai embora de jeito nenhum!
"'Prazer em conhecê-la', mas olha aqui: _Continuo querendo me pertencer ta bom?"

Sunday, July 31, 2005

Estudo de caso 46

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Hora de dormir... preguiça de ir dormir... todo um trabalho pra me concentrar, fechar os olhos, me fixar em algo, parar de pensar no que não foi, no que poderia ter sido, sem banhos, dentes sujos... mas tudo pra poder entrar na realidade que só existe aqui dentro...
Sonhar com tudo pra acordar de mãos abanando...
a insônia já me fez me acostumar com meus olhos abertos a noite toda... assim tenho menos trabalho de ficar "insôniando" pela casa inteira...
Boa noite...
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Saturday, July 30, 2005

Estudo de caso 45

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O tempo faz a gente descobrir que as vezes as pessoas podem mudar pra se tornarem iguais ao mesmo tempo...
Que mesmo que não exista dono de beijos e abraços, a gente insiste em brincar de meu e seu...
E assim a gente aprende a dançar de acordo com a música e o passo que a gente não ensaiou parece mesmo sincronizado...
E o que é ruim, faz parte pro bom acontecer...
E o que é bom as vezes acontece sem querer...
E o querer que por vezes se confunde com o amor, pode se tornar igual a este, quando a gente aceita que pode querer sem saber...
E o saber perde a importância quando a graça às vezes está em arriscar...
E a gente arrisca todos os dias...
E todos os dias...
Todos os dias juntos...
E no final às vezes não importa em acertar ou errar, em construir ou acabar...
se vai dar certo ou não talvez não importe tanto quanto achar que vale a pena tentar...
E tentar...
E tentar juntos...
nem que seja pra talvez um dia simplesmente dizer que fez, teve... foi...
Por que as vezes mesmo não sendo, a gente ainda consegue ser...
E assim a gente aprende que não se perde ninguém...
e por motivo algum...
Se a gente inventa o amor e acredita nele, eu não sei...
mas o que eu sei de amor.. aprendi com você.
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Estudo de caso 44

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Sem sono e pensando em coisas pra escrever...
Escrevendo e conseguindo mais coisas pra pensar...
Tentando sair do mundo, e tirar a cabeça do lugar...
Sonhando em uma oportunidade pra sair e viajar...
E viver o que ainda não se foi,
E correr e lembrar do que se fez...
E fazer pra nunca se arrepender...
seja lá o que for, ou com quem...
E gargalhar lembrando do que não tem...
E querendo e perdendo o que já se quis...
E chorando e gostando desse sentir...
E fotografando aquilo que não se quer esquecer,
E não sabendo aquilo que te expliquei...
E falando aquilo que se quer ouvir...
E ouvindo a canção que te faz lembrar,
De alguém,
De alguns,
De ninguém...
E sendo sem medo de quem for...
E sendo alguém pra não se sentir só,
E sendo só, pra não se querer ser...
E assumindo o que não se pode aceitar,
Nem de si,
Nem dos outros... “porque os outros vão pensar assim” .
E achando que todo mundo é...
E sabendo que seria melhor assim...
Só pra ter certeza daquilo que pode não existir...
E sentir o cheiro de quem te deixou...
e deixar aquele que pode te querer...
E pedir o que é caro pra comprar...
E comprando pra mostrar que pode ter (ou ser)...
E acreditando que tudo é relativo pra ser mais fácil de se conformar...
E se acomodar pra ter porque mudar...
E mudar pra sentir que quer voltar...
E acabar sem finalizar...
E escrever pra ninguém ler...
Pra ninguém entender...
Porque ninguém nunca quer mesmo saber...

Maldida hora que se foi acreditar quando disseram sobre seu "espírito livre"...
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Estudo de caso 43

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Se chorar adiantasse muita coisa, sorrir teria alguma validade?
Se ter amigos nos fizesse sentir menos solitários, os livros teriam sido escritos?
Se sair a noite fosse garantia de diversão, filmes seriam locados no fim de semana?
Se crescer fosse garantia de praticidade, os velhos saberiam muito matemática?
Se qualquer coisa fosse garantia de algo, o difícil teria menos graça?
Se o que é difícil tem tanta graça, porque queremos tudo mais fácil?
Se perguntas trouxessem realmente respostas, talvez de tudo saberíamos qual o limite improvável?
Se saudade machucasse de verdade, muitos não agüentariam de dor?
Se dor fosse algo tão insuportável, tomaríamos remédio até pra dor de cotovelo?
E se sorrir fosse garantia de felicidade?
E se não existisse contradição?
Podemos ser adolescentes mais de quantas vezes?
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Estudo de caso 42

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E esse medo do medo de ter medo..."
...Me dá um medo de nao ter mais sentimento,
medo de sentir vazio,
medo de roubarem a metade de mim que me resta.
Desconfigurar-se...
me deu um pânico da noite!
O céu tem mãos grandes, e olhos pequenos...
Cadê meu corpo?
Hoje me vi deitada na cama... calma... sem nenhuma ruga na testa...
segurava um vazio enorme na mão,
com a força de quem está desperto...
Abrir os olhos e me procurar fora da cama!
Sonho?
Mas me lembro do sonho que estava tendo quando me assistia...
que medo!
É por isso que gosto de dormir no teu abraço!
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Estudo de caso 41

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Deixar de lado essa mania vazia de idealizar a felicidade...
Não limitar a alegria a um sorriso...
Não acreditar que lágrimas são sempre tristes...
Não querer tanto assim `ser` tão feliz...
talvez `estar` feliz já seja o bastante...
Se sentir feliz tomando sorvete de flocos...
Buscar a liberdade correndo atraz de pássaros.
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Estudo de caso 40

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Acordar com preguiça de viver...
ele acha que tá envelhecendo rápido de mais...
pena que não encontra rugas...
e seus cabelos não estao embraquecendo...
Isso é sinal de envelhecer por dentro?
ai... deixa ele voltar a dormir...
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estudo de caso 39

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Não escrever mais em linhas tortas... mas conseguir convencer a muitos de que o que se escreve está quase sempre certo. Quem escreveria a certeza de tantos? Quem se arriscaria em acreditar nessa certeza? É por isso que ele anda de cabeça pra baixo. Quase sempre nu. Mas o que o cobre ainda sao poucos cabelos, e queimados... Andam dizendo que "ele pensa de mais"...e realmente sinte sua cabeça pequena. Não cabe mais nada ali... Vai furar sua cabeça pra ver se acalma seus pensamentos...espera que eles voem pra longe bem de pressa.
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Estudo de caso 38

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... é possível um coração sozinho amar dois?
... o que é amor verdadeiro?
... existe amor falso?
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Estudo de caso 37

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Insônia...
fora da minha janela, tudo parecia parado...
e todos dormiam mesmo com a televisão ligada...
as luzes dormiam acesas...
o barulho dormia em silêncio...
a lua até se esqueceu que era `cheia`...
o sol nasceu mais tarde...
nem deu pra contar estrelas.
O mundo inteiro lá fora dormia...
mas dentro do meu quarto seu nome me acompanhava acordado.
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Estudo de caso 36

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Construir um pequeno mundo e guardá-lo de baixo do braço,
se encolher dentro dele e viver uma vida pequena cheia de gigantes fora dele...
e se sentir assim frequentemente: sendo encolhido pelos outros e por si mesmo...
um mundinho pequeno pra se acostumar, mas até achar aconchegante,
e raramente alguém se encolher junto... afinal quem quer se sentir pequeno?
Ser gigante e viver rodeado de incertezas...
pequeno; ter a única certeza de que mesmo sozinho, não vai se machucar... .
..é pra se sentir gigante no mundo que construir...
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Estudo de caso 35

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Primeiro o nariz,
Depois os olhos,
... a boca,
... a bochecha,
... a peruca,
... a roupa,
Por ultimo o sapato de palhaço,
E assim,
sorrisos que não são meus...

Depois volto pra casa,
... tiro a peruca,
Depois o sapato,
... a roupa,
Depois limpo os olhos,
... a bochecha,
... tiro o nariz,

Por ultimo lavo o sorriso fixo de palhaço,
E assim, durmo com os olhos molhados...
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Estudo de caso 34

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Parou pra matar seu tédio olhando pela janela.
Fotografou o tédio dos outros,
completou suas histórias postas sobre suas cortinas,
nas diversas varandas observou `suas rotinas`...
Até que com as histórias dos outros completou a sua,
com o tédio dos outros matou o seu.
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Estudo de caso 33

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Primeiro um beijo molhado na bochecha,
Depois roçou seu nariz no dela,
Amaciou com os dedos os olhos dela que sorriam,
E lambeu sua boca várias vezes...
até sentir o gosto da fotografia.

Guardou na primeira gaveta,
Voltou pra cama em silêncio...

Roçou seu peito nas costas dela,
Passou a mão na barriga e seios dela,
E depois de engolir seu cheiro,
Abraçou tão forte que rasgou o travesseiro...

Depois de sussurrar um: _“Boa noite”,
Enxugou as lágrimas com o lenço dela.
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Estudo de caso 32

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Ele não acredita em ditados,
em frases escritas,
em caminhos traçados,
em palavras ditas.
Só acredita nesse seu cansaço,
de não conseguir fechar os olhos pra dormir
pensando em pessoas que já não tem mais.
Todo dia uma saudade o consome,
todo dia chora antes de sonhar...
hoje, como todo dia, ele dorme pra não mais acordar.
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Estudo de caso 31

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Ele tá correndo pra alcançar esse tempo que limitaram pra fazer tudo o que criaram como apropriado.
Ele tá vivendo meio sem vida ultimamente,
porque correr assim cansa, consome.
E ele corre tanto, pra não ter êxito.
Vive esperando alguma coisa,
tentando preencher vários espaços vazios em todo lugar que chega.
E vive correndo e atropelando tudo pra poder chegar sempre a algum lugar na hora certa, pra não ter ninguém à sua espera.
Ele escreve sempre pra ele mesmo, e são cartas tão longas...
Esconde, depois lê, e percebe o quanto as coisas que escreve as vezes nem parecem ser dele.
Ele tá cansado de tudo na verdade, principalmente de ter medos, todos eles...
Ele tem medo de estar se matando aos poucos, a cada dia com isso...
Acha que cansou de ser triste...
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Estudo de caso 30

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Dizem que existem 3 tipos de solidão...
Ele anda preferindo qualquer uma pra lhe fazer companhia.
Está construindo um aquário só pra ele, de água limpa... sem tampa!
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Estudo de caso 29

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Ele prefere a solidão, ela somente!
De qualquer tipo, porque ela sim o conhece.
Ela o entende muito bem,
porque aceita seu tempo, lhe dá tempo,
lhe tira o tempo no tempo certo...
Ele já preferiu pessoas antes,
mas cansou de vazios,
coisa inteiramente pela metade...
uma metade vazia e a outra fragilmente contraditória.
Já gostou muito mais de palavras,
uma vez que entendeu o silêncio.
Passou a reticenciar ao lado dele mesmo,
porque cansou de conversar consigo.
Ele deixou a parte dele que é dos outros,
mas ainda não se sente só dele.
Anda com pouco tempo ultimamente,
acha que é o mundo que tá construindo pra ele.
"_O que as pessoas pensam que são?"
Será que ele esqueceu que é gente?
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Estudo de caso 28

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Ele anda preferindo dias chuvosos,
dias em que a janela não precisa ser aberta,
dia em que a luz é fraca.
Anda gostando mais de dias cinzentos,
preferindo o barulho da chuva que do vento,
de cheiro de terra molhada,
do barulho dos pingos caindo no chão.
Dias em que ele acredita que ninguém se encontra,
ninguém se diverte,
dias em que nem a lua aparece.
Anda sem vontade de sair do ninho,
acredita ter mais graça em ficar sozinho.
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Estudo de caso 27

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Ele pasou o dia inteiro tentando entender a diferença entre acreditar porque sabe, ou achar que sabe só porque acredita.

Ele não sabe se pensa mais em si sem esquecer dos outros, ou se pensa mais nos outros sem se esquecer de si.

Ele acha que as pessoas acreditam nele só porque ele não acredita em ninguém.
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Estudo de caso 26

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Fechou os olhos,
prendeu e soltou a respiração,
repousou sobre pregos,
cheirou vidro quebrado,
enroscou pernas,
virou o rosto,
abriu os olhos e ouviu gritos,
fechou a janela com os pés,
reticenciou mais uma vez,
calou,
parou a noite "pensamentando"...
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Estudo de caso 25

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Inventei seu cheiro hoje,
pra não mais esquecer do que me lembra você,
mas o cheiro é seu,
só seu,
de um jeito que só eu conheço...
porque não te conheço.
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Estudo de caso 24

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Ele não sabe em quê consiste a beleza...
talvez na imperfeição...
talvez na simplicidade...
ou talvez não...

Ele não sabe se e mais difícil esquecer ou se insiste naquilo que acha que não pode ter...
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Estudo de caso 22

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Eles se viram e se conheceram...
ele tinha segredos que ela não sabia,
ela gostava de sorvete e cigarros.
Um dia, deitaram no chão do quintal da casa dele...
e contaram pássaros à tarde inteira...1,2,3...20!
E conversaram, e se gostaram...
É difícil ela gostar de alguém,
ela disse que gostava dele,
ele sabe,
ele também gosta...
mas não pode.
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Estudo de caso 23

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Ela diz que ele é dramático porque sente tudo de uma maneira muito extrema.

Ele ficou sem entender qual o problema em não gostar de sentir qualquer coisa que seja pela metade!
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Estudo de caso 21

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Ele anda tentando dar mais sentido ao dia,
pra que a noite se torne menos vazia.
Tentar preencher a noite não pregando os olhos...
porque agora todos os dias,
as manhãs já não existem mais...
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Estudo de caso 20

. Me ensina a ser seu,
a te abraçar do seu jeito,
a beijar-te de um modo que faça prender-te às mãos em meus ombros.
Me faz carinho,
mas do seu jeito,
me casa com seu dedo,
me balança com os olhos,
me cheira no pensamento,
me enruga com o tempo...
o nosso tempo.
Me estressa com bobagens,
tenha razão ou não.
Me faz olhar pra mim.
Me faça ter medo...
todos eles.
Quero te fotografar por inteiro...
com minhas mãos.
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Estudo de caso 19

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Ontem à noite eles pararam pra fechar os olhos juntos e ouvir o som da noite:
"Cri-cri-cri-cri-cri-cri-cri..."
_"Meus Deus que tanto grilo!"
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Estudo de caso 18

. Ele realmente anda cansado de tentar se diferenciar do mundo...
De tentar ser diferente num lugar onde todos "parecem" ser iguais...
Ele anda de saco cheio por não se sentir tão importante quanto se vê...
Ou pelo menos especial como todos gostariam de ser...
Ele tenta não ser fútil... mas acha que todo mundo é!
Tenta mostrar pro mundo seus pensamentos criativos...
Nossa ele seria capaz de mudar o mundo com suas idéias que só ele não acredita que sejam "patéticas"!
Ele anda preocupado demais com seus problemas... principalmente porque fica o dia inteiro procurando um pra que não seja tão inútil sofrer tanto assim... Nossa como ele sofre!
E ainda não admite que o mundo tenha pena dele. Deixa que ele mesmo se responsabilize por sacrificar sua pele com sua auto-piedade...
Ele chora um pouco cada dia... ou fuma 4 carteiras de cigarro.
Faz até poesia, quer ser sensível quando se acha frio...
quer que todos o aceitem... mas não aceita ninguém como realmente é... ele fantasia de mais com a própria cabeça o que os outros são pra ele... ou devem ser!
Ele uma vez até disse que queria um robô pra programar exatamente aquilo que ele deve ser..."sirva-me", porque EU sou mais importante!
Ele é capaz de até mesmo dizer pra alguém que é a pior coisa do mundo, quando não é o outro que é o lixo... que ele realmente se sente machucado com os erros dos outros... porque ele não erra NUNCA! Ele é inteligente de mais pra decepcionar alguém!
Diz que precisa viajar... que odeia o mundo... queria fazer até com que ele girasse pro lado contrário!
Ele por pouco não se joga da janela pra chamar só um pouco mais de atenção...
Só um pouquinho mais!
Ele realmente tá precisando viajar... crescer ao ver mundo... crescer ao se distanciar de sua rotina desagradavelmente insuportável... crescer ao perceber que pessoas são como ele... olha só..elas também erram... não é incrível? Crescer ao perceber que anda olhando de mais pra si... Prceber que o mudo lá fora, onde as pessoas vivem, convivem e sobrevivem é simplesmente bem maior que seu umbigo!
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Estudo de caso 17

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Ele quer conhecer seu sexo,
saborear seu medos,
temer seus desejos,
experimentar seu gosto...
seu corpo todo!
Ele quer saber seu beijo,
lamber sua língua,
entrelaçar seus dedos em seus cabelos,
tocar sua pele,
digerir seu cheiro...
Ele quer comer suas palavras,
segurar sua voz,
forçar seus gemidos,
sentir seu prazer... no dele!
Arriscar seu romance,
morder seus lábios,
tirar sua roupa,
conhecer cada curva...
onde sua...
onde seca!
Ele quer tudo em você...
Ele quer tudo com você...
Mas por favor...
não se apaixone por ele!
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Estudo de caso 16

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Ontem à noite ele usou como pôde seus pensamentos, suas idéias, seus silêncios, fugiu de casa, fumou 3 cigarros, escreveu seus recados, falou no telefone 7 vezes, brigou com seus pais, alimentou seus pássaros, fez 5 filhos, se arrependeu do presente, fugiu do futuro, acreditou em pecados, rezou 8 vezes, mentiu 20 vezes, apagou seus planos, arquitetou suas verdades, planejou seu passado, se abraçou 11 vezes, amou seus inimigos depois matou seus amigos, procurou no dicionário o que era irreverência, pintou o cabelo, e se afogou no próprio riso...
tudo psicologicamente!
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Estudo de caso 14

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Ele anda se sentindo meio sombra de si mesmo ultimamente,
virou ao avesso e olhou pra dentro dele e se viu tão colorido que até parou de se seguir,
quer agora não andar na frente pra não ser mais seu contrário...
ser sombra hoje combina mais com seu estado de espírito.

...cadê ele?
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Estudo de caso 13

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Ele hoje só queria escrever uma poesia besta,
algo sem rimas, nem tão bonito nem feio...
Mas hoje as linhas não estavam tão aconchegantes pràs letras...
Ele achou o papel em branco mais poético,
e passou a noite inteira acariciando o vazio...
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Estudo de caso 12

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Hoje ele se perguntou se tem sentido ficar tentando dar sentido a vida...
"_O sentido não é este que vivem empurrando? até seus sonhos, seus desejos são programados..."
Ele se sente esmagado porque não consegue mais pensar com a própria cabeça... não consegue mais ter seu próprio gosto... seguir a vida com seus passos.
Ele agora quer sair desse padrão de sobrevivência porque ele tá sentindo sendo engolido pelo mundo, um mundo que ele nem faz parte.
Ele anda se esvaziando dele mesmo, anda morrendo várias vezes ao dia.
Foi só ele nascer que já exploraram suas tendências, já ditaram sua moda, disseram o que ele deve ou não usar, como se comportar...
Programaram o que se deve ou não acreditar,e até como...
Ditaram as drogas que se pode usar, onde andar descalço ou não.
Hora de comer, agora o banho, e todos os dias...
É preciso que goste de escovar os dentes, é obrigatório ser pessoa legal...
tenha muitos amigos... seja bonito, e trate bem quem é...
Se for homem é cabelo curto e sapato azul. Mulher, calcinha rosa, depilada e sem bigode.
Até o tamanho das suas curvas eles são capazes de ditar... e ainda te obrigam a acreditar no seja você mesmo, goste de si mesmo, pense com `suas` idéias, siga essa linha com `seus` passos... Que sentido tem isso pra ele? Ser ratinho de laboratório pra quê?
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Estudo de caso 11

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Hoje ele quis fotografar o invisível,
insistir em ver o infotografável,
ouvir grito de mudo,
ver sorriso no choro,
ver vazio no cheio,
se sentir cheio de vazios...
Gritar o silêncio no silêncio,
tocar o inacessível,
abraçar o ausente,
cheirar fumaça de gelo,
acariciar o vento,
lamber um cacto,
amassagear concreto,
gozar broxando,
escrever no escuro.

Matar a cada dia o sentido da vida,
antes que a perda deste te mate...
Inventar o nada pra que tudo tenha significado,
inclusive "Ele"...
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Estudo de caso 10

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Se todo mundo é especial, então quem é especial?
Se o mundo inteiro anda clichê, o que é ser clichê?
Significam as palavras, depois tiram seus significados e enchem de significantes para que todas elas se tornem insignificantes...
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Estudo de caso 9

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Sentir a pele meio doce,
fechar os olhos ao passar língua nos dentes e sentir ela gigante,
passar a mão no corpo e sentir as partes afundadas,
concluir que nem a dor nem o gosto existem,
chorar ao sentir a dor que causa o barulho do silêncio...
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Estudo de caso 8

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Não ter inspiração: Contar quantas linhas tem uma folha de caderno, olhar na janela e contar quantos pássaros passaram, quantos andares tem o prédio ao lado...
analisar o próprio pensamento em torno daquilo que se esquece quando se tem que lembrar pra escrever, só pra poder acariciar com a ponta do grafite essa folha de papel...
Como não se quis esperar para a inspiração chegar, foi preenchendo a folha em branco de mãos dadas as letras...
E deu com um ponto firme o que se chama de final.
Final de quê?
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Estudo de caso 7

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Ele vê poesia na menor possibilidade de rima,
na menor criatividade de algo que é novo,
na maior ruína de algo que é vivo,
na menor beleza daquilo que é morto.
Ele vê poesia exatamente onde ela não chega,
onde ela não toca,
onde ela se distancia.
Porque é naquilo onde ela não existe,
que ele existe na poesia...
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Estudo de caso 6

. To querendo precisar de você,
querendo tuas mãos aqui comigo... em mim.
Fazer teus gemidos do jeito que gosto de ouvir.
Sentir você respirar em minha boca...
Sentir a imperfeição da tua pele na minha,
a maciez dos teus beijos, dos nossos beijos parecidos,
olhar teus olhos fecharem, tua bochecha rosar...
Quero me sentir a culpada dos seus novos medos.
Secar as partes do seu corpo suadas,
tocar nas partes que surgem molhadas,
entralaçando meus dedos em todos os seus cabelos.
Querer amanhecer no teu abraço, assim como adormeci.
Te querer de todo jeito podendo te ter apenas de um.
...apenas um dia, você vestida de noite,
guardar em segredo a proximidade que me afasta de ti.
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Estudo de caso 5

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Insônia porque ele anda se tornando vítima de seus próprios estudos de caso, quer encontrar em todo mundo oque poderia ser dele... e nao é.
... ah não! não é só ele que anda procurando nos outros ele mesmo, agora ficou mais tranquilo pra dormir.
Bom dia!? .

Estudo de caso 4

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Sentimento de solidão ampliada com a cor da tarde,
de vazio aliviado com o calor aconchegante do amanhecer...
Cravar os pés na areia fria que o mar não toca,
pra ser maré várias vezes ao dia.
Ele se sente a cortina da própra janela...
a nuvem sem chuva que escurece o dia;
a ponta do cigarro esquecida a dias no cinzeiro quebrado da varanda fria;
se sente hoje, assim como ontem e amanhã, um eterno talvez cercado de dúvidas; se sente a própria dúvida estagnada nos olhos quase sempre abertos e desmaquiados;
se sente de saia, frágil com o vento.
Se sente aquela palavra que não sai da boca de ninguém;
o nó na garganta de alguém que prende o choro;
o suor que escorre nas mãos nervosas de alguém;
o balançar ansioso das pernas de quem espera sentado por tudo..por nada.
Se sente hoje como aquilo que vê, como o sol se escondendo atrás de milhares de construções guardando em si alguns restos estragados daquilo que ainda insistem em chamar de gente... Nuvem queimada com os últimos raios sonolentos do sol de hoje e de anti-ontem.
E esses pássaros fugindo da noite correndo pro lado de lá onde o dia vai embora mais depressa pro sol nascer depois de amanhã... pra outro dia como esse começar.
Em pouco tempo o cinza das nuvens descrevem seu dia... Ralos, insôsos e feios, mesmo quando ainda sobra esse risco laranja encostado num chão poente qualquer. .

Estudo de caso 3

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É como se essa música não parasse de dançar nos meus ouvidos, e eu continuo aqui...parada! Não encaixa, não combina, nem flui nada que se pareça com um leve movimento... Nem a perna balança, nem as mãos sacodem, a cabeça continua parada... e a música ali...insistindo em dançar nos meus ouvidos...
E depois? Esse silêncio gritando sem parar... E eu? Parada...imóvel. E o sono começando a dormir... e eu ali...parada... vendo tudo passar...
E o tempo aparece... lavando o "meu" tempo... E a fome começa a comer, e eu parada ainda sem me mover... Aí me vem o cansaço começando a se cansar... e eu parada me cansando de tudo... E todo mundo no seu mundo passando feito gente... cada um menos diferente... E seus passos andando começam a me incomodar... E eu ainda me encontro parada. Estagnada na minha condição catatônica de ver a vida viver, a morte morrer, e tudo acontecer, menos eu. Minha existência passa a inexistir, e eu passo a insistir em desistir de mim... E nesses desencontros de mim comigo mesma ainda consigo me encontrar sem mim...
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Estudo de caso 2

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Ele quer completar sua metade com a tua incompletude,
quer desejar teus sonhos assassinados,
quer entristecer na tua alegria,
quer sorrir no teu sofrimento,
quer jogar esse jogo até o limite do amar,
até onde o cansaço couber,pra no final sem discuidos,
entender o que resta sem essa parte que não é dele,
... depois do amor... vêm o que pra se querer continuar?
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Monday, July 25, 2005

Estudo de caso 1

... por hj é isso!
Nada mais...
pra quê mais?
...